Sobre
Um português, uma aldeia polaca, e gatos que não se deixam tocar
Este site não tem equipa, não tem patrocinador e não tem associação por trás. Tem uma pessoa, um jardim e uma tigela que se enche todos os dias.
De onde venho
Nasci no Porto e vim viver para a Polónia. Vivo numa aldeia como há centenas por aqui: casas com quintal, campo à volta, e invernos que não perdoam a quem dorme na rua.
Sempre gostei de animais — gatos, cães, pássaros. O último que tive antes de vir foi um canário, que teve uma vida longa e feliz. Não sou biólogo nem veterinário. Sou uma pessoa a quem os animais nunca foram indiferentes.
Como isto começou
Não decidi nada. Desde que cheguei, apareceram sempre gatos de rua no jardim — e eu comecei a dar-lhes comida.
Faça sol, chuva ou neve. Muitas vezes basta olhar pela janela: se vir um lá fora, visto o casaco e vou. Comprei-lhes um abrigo e ponho-lhe palha dentro, para terem onde dormir quando o frio aperta a sério.
Já cheguei a alimentar doze ao mesmo tempo.
Eles conhecem-me. Não se deixam tocar.
Esta é a parte que as pessoas não esperam. Estes gatos sabem quem eu sou e sabem a que horas apareço. Esperam por mim. Mas se me aproximar, fogem.
Ponho a comida e afasto-me. Só quando já estou longe é que eles vêm comer.
Nunca lhes fiz uma festa e provavelmente nunca vou fazer. E está bem assim. Eles não me devem nada, e a confiança de um animal selvagem respeita-se — não se força.
A Tuga foi a exceção. Apareceu com duas semanas, demasiado pequena para fugir de quem quer que fosse, e ficou. É por isso que ela tem casa e os outros continuam lá fora: os Amigos da Tuga, que só agora começam a ter nome.
Esterilização: o que está feito e o que não está
A Tuga está esterilizada, vacinada e com a desparasitação em dia. Isso é o mínimo e não se discute.
Os Amigos, não. E não é por falta de vontade — é porque não se deixam apanhar. Um gato que foge assim que me aproximo não entra numa caixa de transporte, por muito que eu queira levá-lo ao veterinário.
Sei o que isto significa: alimentar sem esterilizar faz a colónia crescer, e não fujo a essa responsabilidade. É o problema mais difícil deste projeto e, até hoje, continua por resolver.
Se e quando arranjar maneira de o fazer como deve ser, escrevo aqui.
Quem paga
Até hoje, eu. A ração, a areia, o veterinário, o abrigo — sai das minhas poupanças.
Não me queixo: faço-o porque quero. Mas doze gatos comem muito, e é por isso que este site aceita donativos. Cada sat que chega vai para comida, não para mim.
Se alguma vez isso mudar, escrevo aqui.
E o Bitcoin, o que tem que ver com gatos?
É a minha outra paixão, e durante muito tempo vivia separada desta. Um dia percebi que não tinham de viver.
Um gato é o melhor guardador de energia que a natureza produziu: dorme dezasseis horas para caçar em oito segundos, e não desperdiça um único movimento. O Bitcoin é a mesma ideia aplicada ao teu tempo e ao teu trabalho — uma bateria que não tem fugas.
Não sou consultor financeiro e não te digo o que fazer com o teu dinheiro. Digo-te apenas como cheguei a ver as coisas assim, e uso gatos para explicar porque são o melhor exemplo que conheço.
O que este site é
Um sítio onde as minhas duas paixões se encontram, escrito em três línguas porque a minha vida se passa em três.
Tem o diário da Tuga desde o dia em que apareceu, um guia para quem encontra um gatinho e não sabe o que fazer, e a explicação de porque acho que o dinheiro devia funcionar como um gato.
Se chegaste aqui por causa dos gatos e ficaste pelo Bitcoin, ou ao contrário, então valeu a pena.